Tudo o que você precisa saber sobre hepatites virais

Embora sejam inicialmente silenciosas, as hepatites virais podem levar a complicações sérias como a cirrose quando não diagnosticadas precocemente. Isso acontece porque os vírus causadores da doença geram uma inflamação crônica e silenciosa no fígado, que é o segundo maior órgão do corpo humano, responsável por secretar e metabolizar substâncias importantes para a manutenção da saúde.

No Brasil, os tipos de hepatites virais mais comuns são A, B e C. Embora algumas delas – como a hepatite A -, possam ter evolução benigna, sem deixar sequelas, outras podem levar a danos graves para a saúde. Por isso, segundo a hepatologista do Centro de Gastroenterologia, Marta Deguti, os tratamentos estão cada vez mais complexos e individualizados.

“Enquanto a hepatite A tem transmissão oral-fecal, as B e C podem ser transmitidas através de relações sexuais e transfusões sanguíneas, respectivamente”, destaca a especialista. A partir do diagnóstico, o médico irá recomendar o melhor tratamento de acordo com o tipo e características de vírus, perfil do paciente e análise de possíveis doenças concomitantes, que possam interferir ou prejudicar a melhora do quadro.

Quanto à periodicidade das medicações, algumas podem ser utilizadas por tempo limitado, outras são de uso diário prolongado. Há ainda as de dose única ou associadas a outros remédios.

Quando não diagnosticadas a tempo, ou não tratadas adequadamente, as hepatites virais podem evoluir para uma cirrose hepática. Em casos mais graves, há risco de desenvolvimento de câncer no fígado. Uma pesquisa feita pelo Ministério da Saúde aponta que de 70 a 80% das infecções entre os portadores de hepatite C tornam-se crônicas. E ainda, 20% delas podem evoluir para cirrose e de 1 a 5% para câncer de fígado.

“Além disso, é importante lembrar que alguns comportamentos podem piorar o quadro como, por exemplo, o consumo de álcool. A obesidade e o diabetes mal controlado podem piorar a doença”, lembra a hepatologista.

Diagnóstico

Não são raros os casos de pessoas que sofrem por anos de hepatite sem saber da doença. O diagnóstico pode acontecer incidentalmente, em um check-up médico ou durante o processo de doação de sangue.

De acordo com a hepatologista, é preciso ficar atento quando um ou mais desses sintomas aparecem associados: febre, náuseas, dores articulares, falta de força, coloração amarelada da pele e escurecimento da urina. “O especialista também pode solicitar um exame mais detalhado quando a pessoa relata antecedentes que o coloquem sob suspeita, como em casos de transfusão sanguínea”, conclui a hepatologista.